Capitulo 2 - O Despertar
E se tudo fosse apenas um sonho? Ilusões criadas pelo nosso consciente... Como é possível sabermos se aquilo a que chamamos realidade não é apenas o outro lado da moeda e não realmente a realidade?
Como é possível saber que não estou a viver apenas mais um sonho se quando sonho não sei que estou a sonhar?
E se tudo fosse apenas um sonho... estaria eu acordado agora?
Quando era apenas uma criança tinha muito medo do escuro... tinha receio daquilo que os meus olhos não conseguiam ver, até que uma noite há muitos anos, mas que ainda me lembro como se fosse hoje, o meu pai veio ter comigo de noite, sentou-se na minha cama e perguntou-me muito surpreendido:
Como é possível saber que não estou a viver apenas mais um sonho se quando sonho não sei que estou a sonhar?
E se tudo fosse apenas um sonho... estaria eu acordado agora?
Quando era apenas uma criança tinha muito medo do escuro... tinha receio daquilo que os meus olhos não conseguiam ver, até que uma noite há muitos anos, mas que ainda me lembro como se fosse hoje, o meu pai veio ter comigo de noite, sentou-se na minha cama e perguntou-me muito surpreendido:
-O que se passa contigo, Jack? Não consegues dormir?
-O escuro pai... assusta-me... - Respondi amedrontado e agarrando-me às roupas da cama com muita força.
Ele olhou para mim com um sorriso consolador e passou a mão no meu cabelo despenteado, e disse:
-Vou-te ensinar um pequeno truque Jack... Quando tiveres medo do escuro, lembra-te que a escuridão e tudo o que nela imaginamos, não existe e que basta um simples "Click" e ela desaparece por completo. - Disse ele mantendo o mesmo sorriso enquanto clicava no interruptor e a luz do candeeiro num segundo iluminara todo o quarto, dissipando assim toda a escuridão que me assombrava.
Eu olhei ao meu redor e tudo estava iluminado e os meus olhos conseguiam contornar cada recanto do quarto, o medo que me aterrorizava desaparecera assim como aquela escuridão.
Mas agora percebo que o difícil não é fazer a escuridão desaparecer, mas sim encontrar a luz para o fazer...
Os meus olhos abriram-se lentamente um de cada vez, e via com dificuldade e tudo nublado e a minha cabeça sentia-a à roda. Olhei ao meu redor confuso e confesso que um pouco assustado e não conseguia perceber que lugar era aquele, apenas conseguia ouvir o barulho do vento assobiar por entre os velhos e assustadores troncos da floresta. Estava sentado por cima de umas frias e húmidas ervas e encostada a uma árvore apenas com uma caneta numa mão e uma folha de papel dobrada na outra. Sem saber sequer onde estava ou como fui parar a este lugar, abri a folha e para meu enorme espanto estava escrito o seguinte:
O Despertar, por Jake Aston.
O Escritor acordara confuso e desorientado, enquanto as sombras o contemplavam a partir da escuridão da floresta que o rodeava.
Confuso e desconfiando da sua sanidade caminhou em frente pelo caminho que lhe pareceu melhor, algo mais a frente ele viu um homem, sem demora ele pediu ajuda, por instantes o escritor pensou conseguir as resposta ás suas inúmeras perguntas até que o homem se virou.
O Escritor mal conseguia ver o seu rosto naquele escuro denso, mas o machado cheio de sangue das suas vitimas brilhava com a luz do luar... Ele soltou um sorriso sádico e ergueu o seu machado. As Sombras estavam vivas e distorciam a sua voz e face.
Era uma cena de um pesadelo, mas desta vez o Escritor estava acordado...
Sem qualquer sombra de dúvida que eu era o autor deste texto, podia ver na singularidade da minha caligrafia, mas não me conseguia lembrar de quando o tinha escrito...
O Despertar... Esse era o nome que eu planeara para minha próxima obra, o texto parecia incompleto e a folha estava rasgada, como se tivesse sido arrancada de outras tantas.
Sentia-me cansado, como se carrega-se toneladas em cada ombro, caminhei lentamente e olhando sempre ao meu redor, mas não conseguia ver mais nada para além do escuro... Como vim aqui parar? Que lugar é este? Onde esta a Andy? Questionava-me eu repetidamente enquanto traçava o caminho lentamente e confuso.
As árvores pareciam sussurrar entre si e observar-me... estaria eu louco? Imaginando agora vozes e olhares? Definitivamente nunca tinha estado neste lugar mas sentia novamente uma estranha sensação de familiaridade que não conseguia explicar, como se já tivesse estado aqui antes...
Quando cheguei ao final daquele caminho de areia que atravessava a floresta, vi uma estrada que descia uma das várias serras da cidade e o horizonte mostrava um mar infinito de árvores cobertas com a escuridão que a noite trazia, mas no meio de tudo aquilo consegui ver uma luz, um local iluminado que se destacava. Era uma estação de serviço, não sei se iria encontrar alguém lá mas ao menos conseguiria ligar a alguém e pedir ajuda, nesse instante ouço o som de um metal pesado arrastar no chão... tudo isto, sentia que já o tinha vivido, quando olhei para trás estava uma pessoa do outro lado da estrada parado e de cabeça baixa e numa das mãos segurava um machado com a lamina no chão.
Eu estava sem voz e sem saber o que fazer... pensei em pedir-lhe ajuda de inicio mas foi então que percebi e estava incrédulo ao retirar a folha de papel do bolso e confirmar os factos, tudo aquilo que estava escrito estava a acontecer e de repente do outro lado da estrada aquela pessoa dá um passo em frente arrastando o seu machado pelo chão e levanta a cabeça e pude testemunhar o sorriso sedento de mal mas o que mais me assustou foi ao ver a sua face... ele era igual a mim... foi então que li a folha e ela dizia "As Sombras estavam vivas e distorciam a sua voz e face."
-Alguma vez te contei qual a definição de insanidade? - A voz dele era exactamente igual à minha, era como ouvir-me falar. Dizia ele com o característico sorriso nos seus lábios.
Era como ver-me a um espelho mas em uma realidade completamente diferente e distorcida daquela que conheço. Ele era igual a mim mas definitivamente não era eu aquela pessoa, e o seu olhar justificava-o.
Olhei novamente para o local iluminado e senti que era a minha única esperança, então comecei a correr deixando-o para trás, o mais estranho é que enquanto olhava para trás ele permaneceu no mesmo sitio mas nunca cessou o seu sorriso. Eu corria entre as árvores da floresta e elas diziam o meu nome "Jack acorda!" "Jake é apenas um sonho" "Jake volta!". Mas eu corri ignorando as vozes, vindas do escuro que me tentavam seduzir.
Olhei para trás e ninguém me segui-a mas nesse mesmo instante tropecei num ramo saliente e cai no chão, estranhamente todo o medo desapareceu conforme cai no chão... apenas olhava o céu estrelado por entre os ramos e a copa das árvores, senti-me entregue e em repouso como se fosse ali mesmo o meu lugar e os meus olhos tentavam se esforçar para se manter abertos mas um sono profundo cai-a sobre mim mas mesmo antes de me entregar lembrei-me da Andy e da expressão dela ao ser arrastada para o fundo daquele negro lago e foi então que reuni forças suficientes novamente para me levantar mais vivo que nunca, olhei ao meu redor e a floresta sussurrava mais intensamente. Eu levantei-me e corri novamente já conseguia ver a luz mas a floresta parecia começar a fechar o meu caminho e a prender-me cada vez mais para não sair de lá, então com o último esforço por fim consegui perfurar e sair de lá caindo de joelhos sobre o chão e respirando ofegante...
Olhei em frente e a luz da zona de serviço estava ligada o que me repôs calma e segurança, caminhei até lá mas estava fechada. Eu tinha que entrar lá dentro e usar o telefone para pedir ajuda então com uma pedra estilhacei o vidro e entrei lá dentro, apressei-me em verificar se o telefone funcionava, o telefone tinha uma pequeno ecrã que marcava a hora e o dia e eu estava na cidade apenas há um dia mas o ecrã marcava uma semana após a minha chegada... Ao ver que o telefone tinha sinal liguei para a policia, explicando que não sabia onde estava e que acordei inexplicavelmente na floresta e que tive que recorrer a este telefone para contactar alguém. A policia não demorou muito tempo em chegar ao local e senti um alivio por finalmente conseguir alguma ajuda. Enquanto me escoltavam para dentro do carro das autoridades eu olhei para a floresta serena e calma, dançando apenas com o sabor do vento e senti tranquilidade em observa-la com se ela chamasse por mim... Afinal de contas quem era eu na verdade? Esta era uma das inúmeras questões que à deriva se colocavam na minha mente.
Era uma cena de um pesadelo, mas desta vez eu estava acordado...
Mas agora percebo que o difícil não é fazer a escuridão desaparecer, mas sim encontrar a luz para o fazer...
Os meus olhos abriram-se lentamente um de cada vez, e via com dificuldade e tudo nublado e a minha cabeça sentia-a à roda. Olhei ao meu redor confuso e confesso que um pouco assustado e não conseguia perceber que lugar era aquele, apenas conseguia ouvir o barulho do vento assobiar por entre os velhos e assustadores troncos da floresta. Estava sentado por cima de umas frias e húmidas ervas e encostada a uma árvore apenas com uma caneta numa mão e uma folha de papel dobrada na outra. Sem saber sequer onde estava ou como fui parar a este lugar, abri a folha e para meu enorme espanto estava escrito o seguinte:
O Despertar, por Jake Aston.
O Escritor acordara confuso e desorientado, enquanto as sombras o contemplavam a partir da escuridão da floresta que o rodeava.
Confuso e desconfiando da sua sanidade caminhou em frente pelo caminho que lhe pareceu melhor, algo mais a frente ele viu um homem, sem demora ele pediu ajuda, por instantes o escritor pensou conseguir as resposta ás suas inúmeras perguntas até que o homem se virou.
O Escritor mal conseguia ver o seu rosto naquele escuro denso, mas o machado cheio de sangue das suas vitimas brilhava com a luz do luar... Ele soltou um sorriso sádico e ergueu o seu machado. As Sombras estavam vivas e distorciam a sua voz e face.
Era uma cena de um pesadelo, mas desta vez o Escritor estava acordado...
Sem qualquer sombra de dúvida que eu era o autor deste texto, podia ver na singularidade da minha caligrafia, mas não me conseguia lembrar de quando o tinha escrito...
O Despertar... Esse era o nome que eu planeara para minha próxima obra, o texto parecia incompleto e a folha estava rasgada, como se tivesse sido arrancada de outras tantas.
Sentia-me cansado, como se carrega-se toneladas em cada ombro, caminhei lentamente e olhando sempre ao meu redor, mas não conseguia ver mais nada para além do escuro... Como vim aqui parar? Que lugar é este? Onde esta a Andy? Questionava-me eu repetidamente enquanto traçava o caminho lentamente e confuso.
As árvores pareciam sussurrar entre si e observar-me... estaria eu louco? Imaginando agora vozes e olhares? Definitivamente nunca tinha estado neste lugar mas sentia novamente uma estranha sensação de familiaridade que não conseguia explicar, como se já tivesse estado aqui antes...
Quando cheguei ao final daquele caminho de areia que atravessava a floresta, vi uma estrada que descia uma das várias serras da cidade e o horizonte mostrava um mar infinito de árvores cobertas com a escuridão que a noite trazia, mas no meio de tudo aquilo consegui ver uma luz, um local iluminado que se destacava. Era uma estação de serviço, não sei se iria encontrar alguém lá mas ao menos conseguiria ligar a alguém e pedir ajuda, nesse instante ouço o som de um metal pesado arrastar no chão... tudo isto, sentia que já o tinha vivido, quando olhei para trás estava uma pessoa do outro lado da estrada parado e de cabeça baixa e numa das mãos segurava um machado com a lamina no chão.
Eu estava sem voz e sem saber o que fazer... pensei em pedir-lhe ajuda de inicio mas foi então que percebi e estava incrédulo ao retirar a folha de papel do bolso e confirmar os factos, tudo aquilo que estava escrito estava a acontecer e de repente do outro lado da estrada aquela pessoa dá um passo em frente arrastando o seu machado pelo chão e levanta a cabeça e pude testemunhar o sorriso sedento de mal mas o que mais me assustou foi ao ver a sua face... ele era igual a mim... foi então que li a folha e ela dizia "As Sombras estavam vivas e distorciam a sua voz e face."
-Alguma vez te contei qual a definição de insanidade? - A voz dele era exactamente igual à minha, era como ouvir-me falar. Dizia ele com o característico sorriso nos seus lábios.
Era como ver-me a um espelho mas em uma realidade completamente diferente e distorcida daquela que conheço. Ele era igual a mim mas definitivamente não era eu aquela pessoa, e o seu olhar justificava-o.
Olhei novamente para o local iluminado e senti que era a minha única esperança, então comecei a correr deixando-o para trás, o mais estranho é que enquanto olhava para trás ele permaneceu no mesmo sitio mas nunca cessou o seu sorriso. Eu corria entre as árvores da floresta e elas diziam o meu nome "Jack acorda!" "Jake é apenas um sonho" "Jake volta!". Mas eu corri ignorando as vozes, vindas do escuro que me tentavam seduzir.
Olhei para trás e ninguém me segui-a mas nesse mesmo instante tropecei num ramo saliente e cai no chão, estranhamente todo o medo desapareceu conforme cai no chão... apenas olhava o céu estrelado por entre os ramos e a copa das árvores, senti-me entregue e em repouso como se fosse ali mesmo o meu lugar e os meus olhos tentavam se esforçar para se manter abertos mas um sono profundo cai-a sobre mim mas mesmo antes de me entregar lembrei-me da Andy e da expressão dela ao ser arrastada para o fundo daquele negro lago e foi então que reuni forças suficientes novamente para me levantar mais vivo que nunca, olhei ao meu redor e a floresta sussurrava mais intensamente. Eu levantei-me e corri novamente já conseguia ver a luz mas a floresta parecia começar a fechar o meu caminho e a prender-me cada vez mais para não sair de lá, então com o último esforço por fim consegui perfurar e sair de lá caindo de joelhos sobre o chão e respirando ofegante...
Olhei em frente e a luz da zona de serviço estava ligada o que me repôs calma e segurança, caminhei até lá mas estava fechada. Eu tinha que entrar lá dentro e usar o telefone para pedir ajuda então com uma pedra estilhacei o vidro e entrei lá dentro, apressei-me em verificar se o telefone funcionava, o telefone tinha uma pequeno ecrã que marcava a hora e o dia e eu estava na cidade apenas há um dia mas o ecrã marcava uma semana após a minha chegada... Ao ver que o telefone tinha sinal liguei para a policia, explicando que não sabia onde estava e que acordei inexplicavelmente na floresta e que tive que recorrer a este telefone para contactar alguém. A policia não demorou muito tempo em chegar ao local e senti um alivio por finalmente conseguir alguma ajuda. Enquanto me escoltavam para dentro do carro das autoridades eu olhei para a floresta serena e calma, dançando apenas com o sabor do vento e senti tranquilidade em observa-la com se ela chamasse por mim... Afinal de contas quem era eu na verdade? Esta era uma das inúmeras questões que à deriva se colocavam na minha mente.
Era uma cena de um pesadelo, mas desta vez eu estava acordado...
Sem comentários:
Enviar um comentário